Eduarda Rocha

Maceió, Brasil

Eduarda Rocha é licenciada em Letras/espanhol, mestra e doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Alagoas. Tem se dedicado a pesquisar as poesias brasileira e argentina contemporâneas, em perspectivas…

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Tengo miedo

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…Tudo desaparece diante do medo.
O medo, Cesônia, que belo sentimento.
Imaculado, puro, desinteressado, um dos poucos que tiram
sua nobreza das vísceras.
Albert Camus (“Calígula”)
Vejam-me: em mim habita o medo.
Atrás destes olhos serenos, neste corpo que
ama: o medo.
O medo do amanhecer porque inevitavelmente o
sol sairá e hei de vê-lo,
quando entardecer porque pode não sair amanhã.
Vigio os ruídos misteriosos desta casa que
se desmorona,
já os fantasmas, as sombras me cercam e
tenho medo.
Procuro dormir com a luz acesa
e faço como posso com lanças, couraças, ilusões.
Porém basta talvez só uma mancha na toalha de mesa
para que de novo se apodere de mim o espanto.
Nada me acalma nem me dá sossego:
nem esta palavra inútil, nem esta paixão de amor,
nem o espelho onde já se vê meu rosto morto.
Ouçam-me bem, digo aos gritos: tenho medo.
…Tudo desaparece diante do medo.
O medo, Cesônia, que belo sentimento.
Imaculado, puro, desinteressado, um dos poucos que tiram
sua nobreza das vísceras.
Albert Camus (“Calígula”)
Vejam-me: em mim habita o medo.
Atrás destes olhos serenos, neste corpo que
ama: o medo.
O medo do amanhecer porque inevitavelmente o
sol sairá e hei de vê-lo,
quando entardecer porque pode não sair amanhã.
Vigio os ruídos misteriosos desta casa que
se desmorona,
já os fantasmas, as sombras me cercam e
tenho medo.
Procuro dormir com a luz acesa
e faço como posso com lanças, couraças, ilusões.
Porém basta talvez só uma mancha na toalha de mesa
para que de novo se apodere de mim o espanto.
Nada me acalma nem me dá sossego:
nem esta palavra inútil, nem esta paixão de amor,
nem o espelho onde já se vê meu rosto morto.
Ouçam-me bem, digo aos gritos: tenho medo.