María Mercedes Carranza
Bogotá, Colombia
María Mercedes Carranza (Bogotá, 1945-2003) fue una de las voces centrales de la poesía colombiana del siglo XX. Hija del poeta Eduardo Carranza, pasó parte de su infancia en Madrid…
Tengo miedo
…Tudo desaparece diante do medo.
O medo, Cesônia, que belo sentimento.
Imaculado, puro, desinteressado, um dos poucos que tiram
sua nobreza das vísceras.
Albert Camus (“Calígula”)
Vejam-me: em mim habita o medo.
Atrás destes olhos serenos, neste corpo que
ama: o medo.
O medo do amanhecer porque inevitavelmente o
sol sairá e hei de vê-lo,
quando entardecer porque pode não sair amanhã.
Vigio os ruídos misteriosos desta casa que
se desmorona,
já os fantasmas, as sombras me cercam e
tenho medo.
Procuro dormir com a luz acesa
e faço como posso com lanças, couraças, ilusões.
Porém basta talvez só uma mancha na toalha de mesa
para que de novo se apodere de mim o espanto.
Nada me acalma nem me dá sossego:
nem esta palavra inútil, nem esta paixão de amor,
nem o espelho onde já se vê meu rosto morto.
Ouçam-me bem, digo aos gritos: tenho medo.
…Tudo desaparece diante do medo.
O medo, Cesônia, que belo sentimento.
Imaculado, puro, desinteressado, um dos poucos que tiram
sua nobreza das vísceras.
Albert Camus (“Calígula”)
Vejam-me: em mim habita o medo.
Atrás destes olhos serenos, neste corpo que
ama: o medo.
O medo do amanhecer porque inevitavelmente o
sol sairá e hei de vê-lo,
quando entardecer porque pode não sair amanhã.
Vigio os ruídos misteriosos desta casa que
se desmorona,
já os fantasmas, as sombras me cercam e
tenho medo.
Procuro dormir com a luz acesa
e faço como posso com lanças, couraças, ilusões.
Porém basta talvez só uma mancha na toalha de mesa
para que de novo se apodere de mim o espanto.
Nada me acalma nem me dá sossego:
nem esta palavra inútil, nem esta paixão de amor,
nem o espelho onde já se vê meu rosto morto.
Ouçam-me bem, digo aos gritos: tenho medo.